Uma das grandes armas do inimigo do povo de Deus é
manter este povo em desequilíbrio em relação ao ensino da Palavra. Satanás
trabalha na mente do cristão de tal forma a distraí-lo com coisas que
aparentemente parecem serem a prioridade. O diabo tentou fazer isso com Jesus,
quando o tentou no deserto.
Hoje,
o tema predileto do diabo, para distrair os cristãos é: O combate ao pecado do
outro. Dá-se ênfase exacerbada ao combate das práticas
pecaminosas e nos omitimos de fazer o deve ser feito. Pecamos pelo que
fazemos, mas também pelo que deixamos de fazer. O pecado da omissão é deixar de
fazer o que tem que ser feito pelo e para o outro (Mt.23:23/ Ez.34:4).
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Tornamo-nos “expert” e ligeiros em denunciar os
pecados intitulados “da carne” (promiscuidade, adultério, etc), e “pecados
espirituais” (idolatria e incredulidade).
No entanto para João Batista e para Jesus as nossas
faltas mais graves são justamente aquelas mais difíceis de enxergarmos, que não
promove as distrações da carne ou da religião. São aquelas que dizem respeito
ao que devemos fazer para com o próximo e não fazemos, pelo contrário, nos
omitimos.
Comentário
sobre o texto de Mt.25:31-46:
Trata-se do dia final onde todos estarão diante do filho do homem (Foi um entre nós e fez
o que tinha que fazer para com o próximo). O parâmetro que definiu quem
possuiria o reino foi: O que foi feito
pelo ou para o outro. O parâmetro que definiu quem iria para o fogo eterno
foi: O que não foi feito pelo ou para o
outro. O deixar de fazer para o outro o que deve ser feito é que estava em
evidência para o Filho do homem (v.45), e não os pecados convencionais que os
cristãos mais combatem. Não houve nenhuma palavra de condenação para os
idólatras, adúlteros, ladrões, ou até mesmo incrédulos. Os condenados não são
os que fizeram o que não era permitido, mas os que deixaram de fazer o bem ao
próximo. A verdade é que o que
combatemos como pecado, é fruto de algo muito maior: Indiferença para com o
próximo “Sempre que deixaste de fazer”.
A parábola do bom samaritano em Lc.10:25-37. Em todos os evangelhos o
pecado a ser abandonado está invariavelmente ligado ao tipo de relação que
temos com o outro. Pela lei o levita e o sacerdote não cometeram pecado algum
por não se aproximar do homem ferido, porque a lei exigia pureza ritual para
participar do culto no templo. No entanto Jesus ensinou que o pecado foi por
omissão, ou seja, pelo que deixaram de fazer. Outros exemplos de Jesus: O irmão
do filho pródigo; Zaqueu deu metade dos bens aos pobres; Jovem rico; A mulher
pega em adultério; etc.
Os dois grandes mandamentos evidenciados por Jesus
dizem respeito às relações nossa com Deus e com o próximo. Todo proceder se
origina a partir disso: Amar a Deus e ao próximo. Qualquer pecado se origina
da quebra destes dois mandamentos. Nossa indiferença para com o próximo que
vemos, caracteriza nossa falta de amor a Deus a quem não vemos (Jo.4:20).
A palavra de Pedro depois de Pentecoste foi: “Salvai-vos
desta geração perversa”. Esta
salvação não era de ter que rejeitar ou se afastar das pessoas, e sim de não
agir da mesma forma egoísta, individualista e indiferente para com o próximo. A
salvação dos primeiros cristãos foi evidenciada pelo que eles faziam uns pelos
outros, por isso eles se tornaram fortes e receberam por herança o reino de
Deus.